Sistema complementar e Integra divergem sobre termos da integração
Por causa de divergências sobre o modelo de divisão da tarifa de R$ 3,60, a negociação para a integração dos 291 micro-ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC) com os coletivos convencionais que rodam na capital baiana está emperrada.
Quem disputa os moldes do acordo é a Integra (associação dos empresários de ônibus, antigo Setps) e a Cooperativa dos Permissionários do STEC (Coopstecs).
Em jogo estão, além da equação para repartição dos valores, uma possível reconfiguração dos roteiros atendidos pelo STEC e dificuldades tecnológicas para que os dois sistemas de bilhetagem sejam articulados.
Atualmente, explica o secretário de Mobilidade, Fábio Mota, a proposta da Integra sugere que os coletivos urbanos fiquem com R$ 2,18 dos R$ 3,60 cobrados na tarifa (60%) e a Coopstecs, com R$ 1,42 (40%).
Os permissionários do sistema complementar, no entanto, propõem a divisão igualitária da arrecadação (o valor de R$ 1,80 para cada sistema).
Para chegar a essa sugestão, que está programada para ser avaliada pela Integra até a próxima quinta-feira, 21, os operadores dos micro-ônibus, que são licenciados para operar um veículo cada, alegam prejuízo de até R$ 5 mil por mês em cada linha do sistema.
Argumentações
“Atualmente, o Setps (Integra) não tem nenhum interesse de integrar conosco”, acredita o permissionário Gesimiel Ideudson Oliveira, cooperado e porta-voz da Coopstecs.
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Atualmente, o Setps (Integra) não tem nenhum interesse de integrar conosco
Gesimiel Ideudson Oliveira, cooperado e porta-voz da Coopstecs
Para ele, que é dono de um dos micro-ônibus que circulam na região de Cajazeiras, a associação das empresas está ganhando tempo, pois, segundo ele, não quer dividir os passageiros com o sistema complementar.
Atualmente, afirma Gesimiel, o prejuízo financeiro dos permissionários do STEC deve-se a essa falta de integração – o que, especula o cooperado, tira passageiro dos micro-ônibus.
Do outro lado, o superintendente da Integra, Orlando Santos, defende que os termos propostos pela associação para a divisão da tarifa atende às necessidades da Coopstecs, que, diz ele, circula em linhas curtas.
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Como são linhas curtas, com custo muito menor, eles teriam condição de trabalhar com esses valores sem prejuízo
Orlando Santos, superintendente da Integra
“Como são linhas curtas, com custo muito menor, eles teriam condição de trabalhar com esses valores sem prejuízo”, prega o representante empresarial.
Ele ainda cita como condição para a integração a extinção ou redesenho de linhas do sistema de micro-ônibus, para que eles não concorram com os coletivos urbanos.
O modelo dessa reorganização ainda não foi definido. Diz Silva que técnicos da Integra estudam o assunto para apresentar nas próximas mesas de negociação.
Porta-voz da Coopstecs, o permissionário Gesimiel Ideudson diz, porém, que “qualquer ajuste só será feito após a integração”.
“Somos o único segmento que não está integrado. Se isso ocorresse, aumentaria nossos passageiros e poderia resolver a crise. Mas hoje nem o cartão do metrô pega no STEC, pois não há integração com os ônibus convencionais”, reclama o cooperado da Coopstecs.
Só após integrar
Ele garante que, se as partes chegarem a um acordo, uma dívida de R$ 400 mil da cooperativa com a Tacom, empresa que fornece validadores de passagens, seria quitada para permitir a integração das bilhetagens.
Atualmente, diz o secretário Fábio Mota, esse é um dos empecilhos para não existir integração. “Mesmo que se chegue a um acordo hoje, não tem como acontecer por causa desse problema tecnológico”, afirma Mota, que se coloca como “mediador da situação”.
“Basta integrar que negociamos e pagamos a Tacom”, rebate o porta-voz dos permissionários do STEC, dizendo ainda que a empresa que vende os validadores “é controlada pelos empresários de ônibus”. Hoje, explica ele, R$ 700 são pagos por mês pelo aluguel das máquinas de validação.
O superintendente da Integra, Orlando Santos, explica que, para a integração, a Tacom precisa criar um software chamado Cliring, uma espécie de câmara de compensação que divide a tarifa de R$ 3,60 entre os sistemas. Isso não foi feito, porém, por causa das pendências da Coopstecs.
“Esse processo de integração é longo, complexo. Não é algo tão automático e rápido como se pensa”, diz Orlando Santos
Na próxima quinta-feira, quando os dois lados devem se reunir com a mediação da Semob, na sede do órgão, em Amaralina, a Integra irá rejeitar a contraproposta da Coopstecs para a repartição dos valores.
Ameaça
Um dia antes, entretanto, uma nova manifestação dos cooperados tentará pressionar os empresários de ônibus da capital baiana.
O protesto será nos mesmos moldes do que aconteceu na manhã de ontem entre o Retiro e a avenida ACM, na região do Shopping da Bahia, para cobrar celeridade na integração.
Dessa vez, porém, os permissionários estudam utilizar os micro-ônibus para “fechar a cidade”, nas palavras de Gesimiel Ideudson, porta-voz da Coopstecs, por volta das 10h.
“Toda quinta-feira eles dizem que vão dar uma resposta e nunca dão. Eles só vão dar [uma resposta] quando a gente fechar Salvador”, crê.
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